Governo Lula pede a Fux que mantenha as bets proibidas e que a PGR fale antes
A Advocacia-Geral da União rebateu as casas de apostas no Supremo e pediu que o ministro Luiz Fux ouça a Procuradoria-Geral da República antes de decidir. As plataformas saíram do ar nesta terça (06/10).

Em resumo
- A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao ministro Luiz Fux, do STF, que rejeite os pedidos do setor e mantenha a medida provisória 1.394/2026, que proibiu as bets.
- O órgão quer que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja ouvida em até 72 horas antes da decisão e sugeriu uma nova audiência pública.
- Segundo o Ministério da Fazenda, R$ 1,32 bilhão de apostadores continuavam nas plataformas depois do fim do prazo de saque, em 05/10.
O governo federal foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) defender a proibição das casas de apostas on-line, as bets. Em manifestação assinada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao ministro Luiz Fux que negue os pedidos das empresas do setor e deixe a medida em vigor por inteiro. O documento foi protocolado na segunda-feira (05/10), segundo g1 e Metrópoles, e divulgado na terça (06/10).
A proibição veio por medida provisória, a MP 1.394/2026, assinada pelo presidente Lula em 25/09. Ela vetou a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa e de jogos on-line como o chamado jogo do tigrinho. Medida provisória vale como lei assim que é publicada, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado em até 120 dias para não perder a validade.
A briga no Supremo corre na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.721, relatada por Fux. Nela, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) pediram a suspensão da MP. O argumento das empresas, segundo a Gazeta do Povo, é que elas investiram para cumprir as regras e já pagaram outorga de R$ 30 milhões por licença ao governo.
A AGU respondeu de forma direta: "O Advogado-Geral da União manifesta-se pelo indeferimento dos pedidos". O órgão pediu ainda que Fux ouça a Procuradoria-Geral da República (PGR) num prazo de 72 horas antes de decidir, e sugeriu uma nova audiência pública para atualizar a de novembro de 2024, com pesquisadores, órgãos públicos, defesa do consumidor e o próprio setor.
Para sustentar a proibição, a AGU listou dados. Os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) por jogo patológico cresceram 140% entre 2018 e 2025. As apostas tiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias em 2025. E a plataforma oficial de autoexclusão, onde a pessoa pede para ser bloqueada, recebeu 1,29 milhão de cadastros (dados citados pela AGU, segundo o Poder360).
O documento também usa uma conta da Confederação Nacional do Comércio: "a inadimplência e o deslocamento de consumo provocados pelas apostas retiraram aproximadamente R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026, e que cerca de 268 mil famílias ingressaram em situação de inadimplência severa", diz o texto, segundo o Metrópoles.
Há uma virada nessa posição. Como o Poder360 noticiou no sábado (03/10), a AGU já havia pedido ao STF, na mesma ação, que declarasse inconstitucionais as duas leis que liberaram as bets no país, a 13.756/2018 e a 14.790/2023. Em 2024, a PGR já tinha indicado nesse processo que as leis não protegiam os apostadores.
Enquanto o Supremo não decide, a proibição já vale na prática. Os sites e aplicativos de apostas saíram do ar nesta terça (06/10), e o tráfego passou a ser desviado para a página oficial brasilsembets.gov.br, por determinação do Ministério da Justiça. O futebol brasileiro teve na mesma terça a primeira rodada sem patrocínio de bets nas camisas.
O prazo para o apostador sacar o próprio dinheiro terminou às 23h59 de segunda (05/10). Segundo o Ministério da Fazenda, até segunda 26,5 milhões de pessoas ainda tinham R$ 1,33 bilhão nas plataformas; na terça, a Fazenda informou que R$ 1,32 bilhão continuava nas contas e que esse valor será enviado para bancos (g1, leitura às 12h52 de 06/10).
O que falta: Fux decidir se ouve a PGR antes, se suspende a MP no todo ou em parte, e se convoca a audiência pública. Depois, o Congresso precisa votar a medida provisória dentro do prazo constitucional; se não votar, ela cai.
Por que importa
A decisão de Fux define se uma medida que tirou do ar um setor inteiro, com milhões de apostadores, fica de pé ou cai por decisão individual de um ministro. Ela chega no meio do segundo turno: a proibição foi assinada nove dias antes do primeiro turno e virou tema de campanha.
O outro lado
A ANJL e o IBJR pediram a Fux a suspensão da MP, alegando os investimentos feitos para cumprir as regras e a outorga de R$ 30 milhões por licença já paga (Gazeta do Povo, 06/10). Até a leitura desta matéria, em 06/10, não foi localizada manifestação das duas entidades em resposta à AGU.
Fontes
- Poder360 — AGU pede a Fux que mantenha proibição das bets (06/10)
- Metrópoles — AGU pede a Fux que mantenha proibição das bets e ouça PGR (06/10)
- Gazeta do Povo — AGU pede ao STF que bets sigam proibidas (06/10)
- g1 — AGU defende proibição das bets no STF e pede que Fux ouça PGR (06/10)
- Exame — AGU pede a Fux que rejeite suspensão da MP (06/10)
- Poder360 — AGU pede ao STF que declare inconstitucionais leis das bets (03/10)
- g1 — R$ 1,32 bilhão restam nas contas após fim do prazo (06/10)
- g1 — 26,5 milhões de pessoas ainda mantêm R$ 1,33 bilhão (05/10)
- Metrópoles — Tráfego de casas de apostas será redirecionado (03/10)
- Poder360 — Futebol brasileiro tem 1ª rodada sem patrocínio de bets (06/10)
