Campanha · Natal (RN)

Lula leva quatro governadores a Natal e aposta no Nordeste para virar contra Flávio

Atrás de Flávio Bolsonaro por 1,87 ponto no país, Lula foi buscar votos no Nordeste, onde passou de 59% em todos os cinco estados representados no palco. No mesmo palco, pediu voto para Cadu de Lula, que disputa o governo potiguar voto a voto.

Briefing do Rumo nº 5 · Domingo, 11 de outubro de 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Em 10/10, Lula fez comício em Natal ao lado de Fátima Bezerra e dos governadores da Bahia, do Ceará, do Piauí e da Paraíba.
  • No primeiro turno (04/10), Lula teve 59,75% dos votos válidos no Rio Grande do Norte, contra 34,77% de Flávio Bolsonaro, segundo o TSE.
  • No país, Flávio terminou à frente, com 47,03% contra 45,16%; o segundo turno é em 25/10.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, fez neste sábado (10/10) um comício em Natal, no cruzamento das ruas Baraúna e Coronel Estevam. O Nordeste é a região onde Lula teve as maiores vantagens sobre o adversário no primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Subiram ao palco a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), e os governadores Jerônimo Rodrigues (Bahia), Elmano de Freitas (Ceará) e Rafael Fonteles (Piauí), além de Lucas Ribeiro, da Paraíba. O ato também serviu de palanque para Cadu de Lula (PT), ex-secretário da Fazenda de Fátima e candidato ao governo do estado.

Os números explicam a aposta. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em leitura feita às 05h40 de 11/10, Lula teve no primeiro turno 59,75% dos votos válidos no Rio Grande do Norte (1.237.963 votos), contra 34,77% de Flávio (720.493). Nos vizinhos a distância foi ainda maior: 63,29% a 31,27% no Ceará, 66,17% a 28,53% na Bahia, 61,31% a 33,07% na Paraíba e 70,99% a 24,09% no Piauí.

No país, porém, o quadro é outro. Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% (56.104.503 votos) e Lula com 45,16% (53.879.538). A diferença é de 2.224.965 votos. Para virar, Lula precisa ampliar a votação onde já é forte e reduzir a perda onde é fraco.

No discurso, Lula pôs a região no centro. "Vocês sabem o que era o Nordeste antes do PT ganhar a Presidência. E vocês sabem o que virou depois que ganhamos", disse, segundo a Agência Brasil.

Ele defendeu o Pé-de-Meia, programa que paga uma poupança a estudantes do ensino médio para que não abandonem a escola: "O Pé de Meia foi uma revolução que fizemos para garantir que 500 mil jovens não desistissem do ensino médio". Em seguida, disse que o programa estaria ameaçado: "Tudo isso eles vão cortar".

O alvo era a proposta de Flávio de cortar R$ 250 bilhões em gastos, apelidada de "tesouraço". "Eles sempre cortam dos pobres", afirmou Lula. A campanha do PL nega que os cortes atinjam programas sociais.

Depois do ato, o perfil oficial de Lula no X publicou um vídeo com a frase "Bora, Rio Grande do Norte! O Nordeste tá na rua e não vai retroceder!" e o pedido de voto casado: "É 13 para presidente e 13 para governador!". O ato foi transmitido ao vivo no canal oficial do presidente no YouTube.

A disputa estadual também está aberta. No primeiro turno, Allyson Bezerra (União Brasil) ficou com 36,94% e Cadu de Lula com 36,16%, segundo a Agência Brasil; o terceiro colocado, Álvaro Dias (PL), teve 26,71%. Os dois voltam às urnas em 25/10, no mesmo dia da escolha do presidente.

O que falta: os eleitores de Álvaro Dias, do mesmo partido de Flávio, são a maior reserva de votos do estado na disputa pelo governo: 26,71% que agora terão de escolher entre Allyson e Cadu. Faltam 14 dias para o segundo turno.

Por que importa

Lula só vira a eleição se o Nordeste compensar a vantagem de Flávio no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, e o ato de Natal mostra que a campanha dele vai jogar a reta final ali. Para o eleitor da região, a disputa entra no terreno dos programas sociais: o que Flávio cortaria com os R$ 250 bilhões é a pergunta que ainda não tem resposta detalhada.

O outro lado

Segundo a Agência Brasil (10/10), a campanha de Flávio Bolsonaro nega que o corte de R$ 250 bilhões atinja programas sociais. Até a publicação, Flávio não havia comentado o ato de Natal.

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Domingo, 11 de outubro de 2026