Câmara dos Deputados · Minas Gerais e São Paulo

Nikolas Ferreira supera Lucas Pavanato e é o deputado mais votado da história

Os dois, do PL, passaram de 3 milhões de votos e deixaram para trás o recorde de Eduardo Bolsonaro, de 2018. Pavanato chegou a liderar durante a apuração; Nikolas terminou na frente.

Briefing do Rumo nº 2 · Domingo, 4 de outubro de 2026

Foto: Agência Senado

Em resumo

  • Nikolas Ferreira (PL-MG) somava 3.117.476 votos, 27,22% dos válidos para deputado em Minas (TSE, 22h12).
  • Lucas Pavanato (PL-SP) somava 3.038.185 votos, 12,82% dos válidos em São Paulo (TSE, 21h51).
  • O recorde anterior era de Eduardo Bolsonaro: 1.843.735 votos em 2018.

As duas maiores votações para deputado federal da história do Brasil saíram das urnas neste domingo (04/10), e as duas são do Partido Liberal (PL). Na leitura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 22h14, Nikolas Ferreira, de Minas Gerais, tinha 3.117.476 votos, com 99,85% das seções do estado apuradas. Lucas Pavanato, de São Paulo, tinha 3.038.185, com 99,98%. A diferença era de 79.291 votos.

Pavanato chegou a ficar na frente durante a apuração: a Gazeta do Povo registrou, em um dos momentos da noite, 2.856.411 votos para ele e 2.794.182 para Nikolas. A ordem se inverteu conforme a contagem de Minas avançou.

O recorde anterior era de Eduardo Bolsonaro, eleito por São Paulo com 1.843.735 votos em 2018. Antes dele, a marca era de Enéas Carneiro, com 1.573.642 votos em 2002. Nikolas já tinha sido o deputado mais votado do país em 2022, com 1.492.047 votos.

O peso proporcional é ainda maior. Para entender: a eleição de deputado é proporcional, e cada cadeira custa um número fixo de votos, o quociente eleitoral. Em Minas, ele é de 214.428 votos; Nikolas, sozinho, somou o equivalente a 14 cadeiras. Em São Paulo, o quociente é de 338.154, e Pavanato somou quase 9. O voto que sobra vai para o partido e ajuda a eleger outros nomes da mesma legenda.

Nikolas tem 30 anos, nasceu em Belo Horizonte, é formado em Direito, foi vereador da capital mineira e está na Câmara desde 2023. Pavanato tem 28 anos, nasceu em Sorocaba (SP), foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo em 2024, com 161.386 votos, e disputou a Câmara pela primeira vez.

Em entrevista coletiva no domingo (04/10), segundo a Gazeta do Povo, Pavanato atribuiu o resultado à insatisfação com o governo e com o Supremo Tribunal Federal (STF): "O eleitor está de saco cheio de alguns poderosos, de alguns ministros da Suprema Corte que se consideram acima da Constituição." Nikolas escreveu nas redes, depois de votar em Belo Horizonte, que fez "tudo o que podia".

A terceira maior votação do país foi de Erika Hilton (Partido Socialismo e Liberdade, PSOL-SP), com 1.596.357 votos (6,74%). A Folha de S.Paulo a registrou como a mulher mais votada da história para a Câmara.

No Paraná, o estreante Jeffrey Chiquini (Novo), advogado de 30 anos que ganhou projeção na defesa de Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro, teve 425.390 votos (6,81%). Segundo a Gazeta do Povo, é a maior votação para deputado federal da história do estado. "Eu vou propor reformas no nosso sistema de justiça", disse ele.

O tamanho final das bancadas ainda não existe oficialmente. Até 22h14, o TSE tinha fechado a lista de eleitos de 12 das 27 unidades da Federação, ou 129 das 513 cadeiras. Nelas, o PL elegeu 33 deputados; o União Brasil, 18; o Republicanos, 16; e o Partido dos Trabalhadores (PT), 13. Em São Paulo, os votos do PL já garantem 19 cadeiras só pelo quociente.

Entre os nomes conhecidos, Zé Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil, teve 78.446 votos e era o 17º da federação do PT em São Paulo, que somava votos para 8 cadeiras pelo quociente. Eduardo Cunha (Republicanos-MG), ex-presidente da Câmara cassado em 2016, teve 31.795 votos, que o TSE marca como "anulados sub judice". Gleisi Hoffmann (PT-PR), deputada que trocou a reeleição pela disputa do Senado, terminou em 4º no Paraná e fica sem mandato a partir de fevereiro de 2027.

Para o próximo governo, o dado que importa é a conta da Câmara: são 257 votos para a maioria e 308 para mudar a Constituição. A disputa presidencial vai ao 2º turno em 25/10, entre Flávio Bolsonaro (PL), com 47,07%, e Lula (PT), com 45,12% (TSE, 22h08). Quem vencer governa com a Câmara eleita neste domingo.

Falta o TSE fechar as listas de 15 estados, entre eles São Paulo, Minas, Rio e Paraná. A diplomação dos eleitos vai até 18/12, e a nova legislatura toma posse em 01/02/2027.

Por que importa

A Câmara eleita neste domingo é a que vai aprovar ou barrar o que o próximo presidente propuser, a partir de fevereiro de 2027. Votações gigantes como as de Nikolas e Pavanato não elegem só os dois: o voto que sobra vai para o partido e puxa outros nomes da mesma legenda.

O outro lado

O PT e a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) não comentaram os recordes do PL nas matérias consultadas até 22h14. Zé Dirceu e Eduardo Cunha também não tinham se manifestado sobre o próprio resultado nas fontes lidas.