Dilma Rousseff é vaiada ao votar em BH, e Lula perde Minas Gerais para Flávio Bolsonaro
A ex-presidente, que hoje comanda o banco do BRICS em Xangai, ouviu “Lula ladrão” na fila e saiu sem falar. À noite, o TSE mostrava Flávio cinco pontos à frente no estado.

Em resumo
- Dilma Rousseff votou no Colégio Santa Marcelina, na Pampulha, sob vaias de um lado e “olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma” do outro.
- Ela tinha prioridade na fila por ter 78 anos, riu das vaias e deixou a escola sem falar com a imprensa.
- Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro teve 48,29% dos votos válidos e Lula, 43,27%, com 99,62% das seções apuradas.
A ex-presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), votou na manhã de 04/10 no Colégio Santa Marcelina, no bairro São Luiz, região da Pampulha, em Belo Horizonte. De roupa vermelha e óculos escuros, ela estava com o sobrinho Pedro Rousseff (PT), candidato a deputado federal. Segundo O Tempo, o deputado federal Rogério Correia (PT), que tentava a reeleição, também a acompanhava.
Na chegada, apoiadores a abraçaram e pediram fotos. Dentro da escola, segundo O Tempo, num corredor estreito, vieram as vaias. Eleitores contrários gritaram “Lula ladrão, seu lugar é na prisão” (Gazeta do Povo e Jovem Pan). O Tempo registrou ainda gritos de “Bolsonaro” e ofensas como “vagabunda” e “ladra”.
Os apoiadores responderam cantando “olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma” (Estado de Minas e Gazeta do Povo) e, segundo O Tempo, “Dilma, guerreira, do povo brasileiro”. Houve empurra-empurra entre os dois grupos (Estado de Minas e Metrópoles). Dilma reagiu rindo e seguiu para votar.
Ela não furou a fila. O Tempo explica: “Ela tem preferência por ter 78 anos de idade”. A Justiça Eleitoral garante prioridade a eleitores idosos.
Na saída, Dilma não falou com a imprensa “devido à gritaria que continuava no local”, segundo O Tempo; Estado de Minas, Metrópoles e Gazeta do Povo também registram o silêncio. Ao Metrópoles, Pedro Rousseff disse que a tia foi retirada do local diante do risco de agressão. Na porta do colégio, Rogério Correia bateu boca com um homem que vaiava Dilma, até entrar num carro e ir embora (O Tempo).
Até o fechamento, Dilma não tinha dado declaração sobre a eleição, nem na escola nem em veículo de imprensa.
Quem é Dilma hoje: desde 2023 ela preside o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco criado pelo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com sede em Xangai. Em março de 2025 foi reconduzida por unanimidade para mais cinco anos, contados a partir de julho de 2025, com apoio da Rússia, que tinha a vez de indicar o comando (Agência Gov e Itamaraty).
Dilma mora em Xangai e voltou ao Brasil para votar (Gazeta do Povo e Metrópoles). O título de eleitor continua em Belo Horizonte, e em 2018 ela disputou uma vaga no Senado por Minas sem ser eleita. Foi presidente de 2011 até o impeachment, em 2016.
O resultado em Minas: pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,62% das seções apuradas, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), teve 5.763.172 votos (48,29% dos válidos) e Lula, 5.164.371 (43,27%), uma diferença de quase 600 mil votos. Augusto Cury veio em terceiro, com 3,43%.
As pesquisas apontavam o contrário. O Datafolha de 02/10 dava Lula com 42% e Flávio com 36% das intenções de voto no estado (Estado de Minas). Em Belo Horizonte, cidade onde Dilma vota, Flávio teve 48,32% e Lula, 41,36% (Estado de Minas).
Minas pesa porque, desde a redemocratização, quem venceu no estado venceu o país, lembra o Estado de Minas. Em 2022, Lula ganhou em Minas nos dois turnos.
No país, com 99,78% das seções apuradas, Flávio tinha 47,08% e Lula, 45,10% (TSE). Os dois disputam o 2º turno em 25/10. Para governador de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) somava 55,40% dos válidos, contra 26,32% de Patrus Ananias (PT).
Por que importa
A cena de Dilma mostra o clima nos locais de votação de Minas, e a apuração mostra o tamanho da virada: Lula liderava o Datafolha no estado dois dias antes e terminou o 1º turno quase 600 mil votos atrás de Flávio. Minas costuma decidir a eleição, e o 2º turno começa com o PT em desvantagem no estado.
O outro lado
Dilma não falou com a imprensa nem publicou declaração até o fechamento. O sobrinho, Pedro Rousseff, disse ao Metrópoles que ela foi retirada do local diante do risco de agressão. Quem vaiou não foi identificado nem falou à imprensa.
Fontes
- TSE — resultado oficial, presidente em Minas Gerais
- TSE — resultado oficial, presidente no Brasil
- TSE — resultado oficial, governador de Minas Gerais
- Estado de Minas — Dilma vaiada em BH
- O Tempo — vaias e ofensas após apoio na chegada
- Metrópoles — aplausos, vaias e empurra-empurra
- Gazeta do Povo — vaias e “Lula ladrão”
- CNN Brasil — Dilma vota em BH
- Agência Gov — reeleição de Dilma no NDB
- Itamaraty — nota sobre a reeleição no NDB
- Estado de Minas — Flávio vence Lula em BH
- Estado de Minas — Datafolha em Minas, 02/10
