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Garotinho desiste do recurso no TSE, e Douglas Ruas pode levar o Rio sem 2º turno

Se o tribunal homologar a desistência, os votos do ex-governador saem da conta e Ruas passa de 49,27% para 50,88%. Eduardo Paes chama a manobra de “armação”.

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: TV ALERJ / CC BY 3.0, via Wikimedia Commons

Em resumo

  • Douglas Ruas (PL) teve 49,27% dos válidos e Eduardo Paes (PSD), 42,76%, com Garotinho contado na base.
  • Em 05/10, Garotinho retirou o recurso contra o indeferimento da candidatura; falta o TSE homologar.
  • Sem os 274.411 votos dele, Ruas fica com 50,88% e é eleito no 1º turno.

Ruas fica a 0,73 ponto da vitória, e o PL leva as duas vagas do Senado

Pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), às 22h23 de 04/10 e com 100% das seções, Douglas Ruas, do Partido Liberal (PL), teve 4.271.199 votos (49,27% dos válidos) e Eduardo Paes, do Partido Social Democrático (PSD), 3.706.984 (42,76%). Anthony Garotinho (Republicanos), com o registro indeferido e sob recurso, aparecia com 274.411 (3,17%).

No Senado, o PL levou as duas cadeiras: Carlos Portinho, reeleito com 26,77%, e o deputado federal Carlos Jordy, com 24,56%. Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), ficou em 3º, com 20,22%, e Pedro Paulo (PSD) em 4º, com 11,95%.

Para presidente, o Rio deu 53,01% a Flávio Bolsonaro (PL) e 39,41% a Lula (PT) (TSE, arquivo final das 12h51 de 05/10). Na Câmara, o mais votado foi Dr. Luizinho, do Progressistas (PP), com 213.904 votos; Lindbergh Farias (PT) ficou em 3º, com 181.768.

Entre os que perderam o mandato está Otoni de Paula, do PSD, que rompeu com o bolsonarismo e declarou voto em Lula na reta final: caiu de 158.507 votos em 2022 para 19.364 e ficou como suplente, segundo o TSE e o Metrópoles.

Garotinho larga o recurso, e a eleição no Rio pode acabar no tapetão

Na segunda-feira, 05/10, a defesa de Garotinho protocolou no TSE a desistência do recurso contra a decisão que barrou a candidatura dele. Ele teve o registro negado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) por uma condenação por improbidade administrativa (Poder360, Metrópoles e CNN Brasil).

Os votos dele foram contados de forma provisória. Se o TSE homologar a desistência, eles são anulados e saem da base de cálculo. Ruas passa a ter 50,88% dos válidos e Paes, 44,16%: com mais da metade, Ruas está eleito e o segundo turno de 25/10 deixa de existir para governador. Até a tarde de 06/10, o tribunal não tinha decidido.

Paes reagiu no mesmo dia. Chamou o gesto de “a armação do Garotinho com o Douglas Ruas para o candidato vencer a eleição no tapetão” e cobrou: “Eu quero que ele responda o que ele negociou com o Garotinho”, segundo o Metrópoles.

Carlos Jordy chega ao Senado chamando Moraes de “traidor” e falando em impeachment

Eleito senador, Carlos Jordy (PL) disse em 05/10, ao programa Radar News, do SBT News, que “não há espaço para diálogo” com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem chamou de “traidor”.

“Hoje temos maioria para fazer processo de impeachment contra ministros do Supremo”, afirmou. Sobre uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) do Banco Master, disse ter interesse, mas que “tudo vai depender do avanço das investigações”.

Por que importa

O Rio, governado por um interino desde março, pode saber nos próximos dias se terá ou não segundo turno para governador. Se o TSE homologar a desistência, Ruas é eleito sem nova votação; se não, Ruas e Paes voltam às urnas em 25/10. A decisão é técnica, mas o efeito é o resultado inteiro da eleição.

O outro lado

Até a tarde de 06/10, Douglas Ruas e o PL não tinham respondido às acusações de Paes nas reportagens lidas (Metrópoles). Garotinho, ao desistir, não explicou o motivo nas fontes consultadas. Moraes e o STF não comentaram as declarações de Jordy.