Eduardo Leite tende à neutralidade e frustra Lula no estado que deu 55% a Flávio
O governador do PSD disse que se inclina a não declarar voto no 2º turno. A campanha de Lula contava com ele num estado onde perdeu por 1,28 milhão de votos.
Em resumo
- Eduardo Leite (PSD) disse ao Painel, da Folha, que tende a não se manifestar no 2º turno.
- Flávio teve 55,64% dos válidos no RS, e Lula, 35,73%.
- Nova Pádua, na serra gaúcha, deu a Flávio 87% dos votos, o maior percentual do país.
Zucco leva o Piratini no 1º turno, e a coligação do PL fica com o Senado
Luciano Zucco, do Partido Liberal (PL), foi eleito governador com 3.516.048 votos (58,05% dos válidos), segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em dados das 21h12 de 04/10 com 100% das seções. Juliana Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), teve 31,65%, e o vice-governador Gabriel Souza, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), 8,43%. Eduardo Leite não podia concorrer de novo.
No Senado, a coligação de Zucco levou as duas vagas: Ubiratan Sanderson (PL), com 30,11%, e Marcel van Hattem (Novo), com 30,08%, separados por 4.263 votos. Manuela D'Ávila, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), teve 17,07%, e Paulo Pimenta, do Partido dos Trabalhadores (PT), 16,31%.
Na Câmara, o mais votado foi Maurício Marcon (PL), com 379.834 votos (6,22%), seguido de Fernanda Melchionna (PSOL), com 280.262.
Leite se inclina a ficar fora do 2º turno, e Lula perde um apoio que esperava
O governador Eduardo Leite, do Partido Social Democrático (PSD), disse em 06/10 ao Painel, coluna da Folha de S.Paulo, que deve ficar neutro na disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). “Primeiro preciso discutir isso com o partido. Mas me inclino por não me manifestar”, afirmou.
Segundo a Folha, a campanha de Lula contava com o apoio de Leite no segundo turno. O PSD já tinha decidido não apoiar nenhum dos dois no plano nacional, o que deixa cada filiado livre para escolher.
Leite está no segundo mandato e deixa o governo em 05/01/2027. O sucessor, Zucco, é do partido de Flávio.
Flávio abre 1,28 milhão de votos no RS, e a serra gaúcha é o seu maior reduto
Para presidente, o Rio Grande do Sul deu 3.573.783 votos (55,64% dos válidos) a Flávio Bolsonaro e 2.294.759 (35,73%) a Lula, segundo o TSE (arquivo final das 12h51 de 05/10). A diferença é de 1.279.024 votos. A Folha de S.Paulo apontou o estado, ao lado de Minas Gerais, como um dos desafios de Lula para o segundo turno.
Nova Pádua, cidade da serra gaúcha, foi o município do país em que Flávio teve o maior percentual: 87,02% dos válidos (1.756 votos), contra 7,38% (149) de Lula, segundo a Gazeta do Povo e o Metrópoles. Seis das dez cidades mais flavistas do Brasil são gaúchas, informou a Gazeta do Povo.
Por que importa
Sem o governador do lado dele, Lula entra no 2º turno no Rio Grande do Sul sem nenhum dos nomes mais votados do estado: o eleito Zucco e os dois novos senadores são do campo de Flávio. Para o eleitor gaúcho, o governador que sai tende a não pedir voto, e o que entra é do partido de Flávio.
O outro lado
A campanha de Lula não comentou publicamente a fala de Leite até a tarde de 06/10. Em 04/10, Juliana Brizola reconheceu a derrota e pediu à militância que trabalhe pela reeleição de Lula (Jornal do Comércio, edição anterior).
