Brasília · Lago Norte

Michelle Bolsonaro ouve “o inferno te espera” e vira a senadora mais votada do DF

De manhã, uma eleitora a chamou de “mão suja” no local de votação de Bia Kicis. À noite, a ex-primeira-dama tinha 938.496 votos, mais do que o enteado Flávio teve no Distrito Federal.

Briefing do Rumo nº 2 · Domingo, 4 de outubro de 2026

Imagem: vídeo de eleitor, via Correio Braziliense

Em resumo

  • Uma eleitora disse a Michelle Bolsonaro “a sua mão é suja” e “o inferno te espera” no Lago Norte, em Brasília.
  • Michelle respondeu com um coração feito com as mãos e “te amo em Cristo Jesus”, e depois divulgou nota citando a Bíblia.
  • Com 100% das urnas apuradas, ela foi eleita senadora com 29,05% dos votos válidos, e Bia Kicis (PL) ficou com a segunda vaga.

Na manhã de 04/10, dia do 1º turno, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), candidata ao Senado pelo Distrito Federal, foi xingada por uma eleitora no Lago Norte, em Brasília. Ela acompanhava a votação da deputada Bia Kicis (PL), também candidata ao Senado, com a governadora Celina Leão (PP). Segundo o Correio Braziliense, foi por volta das 11h10, no Colégio Indi.

O vídeo mostra uma mulher de vermelho. No trecho transcrito palavra por palavra pelo Portal, ela diz: “Não encosta, a sua mão é suja” e “eu te odeio no inferno”. Metrópoles e Correio registraram também “o inferno te espera”. O Metrópoles ouviu ainda “vá se lascar”, e o Correio diz que ela chamou as candidatas de “ladra” e “corrupta”.

No vídeo também se ouve “a cultura tem que ser valorizada”; Poder360 e Estadão divergem sobre quem gritou. Nenhum veículo identificou a eleitora.

Michelle fez um coração com as mãos e repetiu “Te amo em Cristo Jesus”. Segundo o Metrópoles, completou: “Quem prega amor tem que dar amor”.

Horas depois, em nota publicada pelo Estadão Conteúdo, ela escreveu: “Diante daquelas agressões verbais ocorridas, hoje, no local de votação da Bia Kicis, a minha resposta só podia ser essa: ‘Eu te amo em Cristo!’ E fazer um gesto de coração para ela.” E seguiu: “Hoje é dia da festa da democracia, e precisamos exercitar o amor, o respeito e a tolerância com quem diverge da nossa opinião política.” Citou a Bíblia para dizer que é preciso “fazer o bem aos que nos odeiam e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem”.

Ela usava uma camiseta escrita “Bolsonara da Ceilândia”, apelido que a primeira-dama Janja Lula da Silva usou em setembro, num ato do PT em Ceilândia, região onde Michelle nasceu. À imprensa, disse: “Com muito orgulho, sou a Bolsonara de Ceilândia, não tenho vergonha das minhas origens” (Metrópoles e Jornal de Brasília).

Depois, Michelle votou no Colégio Mackenzie, no Lago Sul, por volta do meio-dia, recebida por apoiadores (Metrópoles e Folha), e disse que “a expectativa é de vitória” (Poder360).

Com 100% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Michelle teve 938.496 votos (29,05% dos válidos) e Bia Kicis, 886.616 (27,44%). As duas cadeiras em disputa no DF ficaram com o PL. A senadora Leila do Vôlei, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), teve 686.340 votos (21,25%), e a deputada Erika Kokay (PT), 610.950 (18,91%).

Folha e Metrópoles apontam recorde de votos para o Senado no DF. Michelle teve 28.880 votos a mais do que Flávio Bolsonaro (PL) recebeu no DF na disputa para presidente (909.616). Com Damares Alves (Republicanos), eleita em 2022, o DF terá a partir de 2027, pela primeira vez, uma bancada no Senado só de mulheres. O mandato vai até 2035.

É a primeira eleição de Michelle, 44 anos. Ela foi secretária parlamentar na Câmara entre 2006 e 2007, onde conheceu Jair Bolsonaro, e primeira-dama de 2019 a 2022. Presidiu o PL Mulher a partir de 2023 e anunciou a saída em 30/06/2026, depois de brigar em público com o enteado Flávio pela chapa ao Senado no Ceará. Segundo a CNN Brasil, os dois gravaram vídeos juntos, mas não fizeram agenda de rua lado a lado.

Jair Bolsonaro, marido dela, não votou: a condenação a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ficou definitiva em novembro de 2025 e suspendeu os direitos políticos dele (Poder360 e Metrópoles). Preso na Papudinha, passou em 24/03/2026 à prisão domiciliar humanitária, dada por Alexandre de Moraes após uma pneumonia (Agência Brasil) e prorrogada em 03/07 (Correio Braziliense).

O que muda: Michelle chega ao Senado com votação recorde e peso próprio no PL, enquanto Flávio vai ao 2º turno contra Lula em 25/10. Com 99,78% das urnas apuradas, ele tinha 47,08% dos válidos no país e Lula, 45,10% (TSE).

Por que importa

Michelle passou de primeira-dama a senadora mais votada do DF na primeira eleição que disputou, e ganhou peso próprio dentro do PL, partido com o qual brigou em público neste ano. O episódio com a eleitora, um dos vídeos mais compartilhados do dia, mostra o grau de tensão nos locais de votação às vésperas do 2º turno entre o enteado dela e Lula.

O outro lado

A eleitora não foi identificada por nenhum veículo e não se manifestou. Nenhuma das adversárias de Michelle na disputa (Leila do Vôlei e Erika Kokay) comentou o episódio em veículo de imprensa até o fechamento. A versão de Michelle está na nota divulgada ao Estadão Conteúdo.