Tribunal Superior Eleitoral · Brasília

Flávio pede ao TSE para calar o "Exército do Lula" de Janones e quer cassar Lula e Alckmin

O corregedor eleitoral não suspendeu o canal: deu 72 horas para Flávio explicar melhor os pedidos e cinco dias para Lula, Alckmin e Janones se defenderem. Janones chama a ação de censura.

Briefing do Rumo nº 5 · Domingo, 11 de outubro de 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro abriu no Tribunal Superior Eleitoral a ação 0602694-73 contra André Janones, Lula e Geraldo Alckmin, por abuso de poder e uso indevido das redes.
  • Em 10/10, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva adiou a decisão sobre a suspensão do canal e deu 72 horas para Flávio esclarecer os pedidos.
  • Segundo a ação, o canal passou de cerca de 55 mil para 1.925.360 inscritos depois do primeiro turno de 04/10.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, entrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra o deputado federal André Janones (Rede-MG) e contra a chapa adversária, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB). A AIJE é o tipo de processo usado para apurar abuso de poder numa eleição e pode terminar em cassação e inelegibilidade.

O alvo é o "Exército do Lula", canal de WhatsApp criado e administrado por Janones. Segundo a petição de Flávio, resumida na decisão do TSE, o canal funciona desde 08/09, só Janones publica nele, e por ali ele distribui "missões": ordens para que os inscritos curtam, comentem e repassem publicações a grupos de WhatsApp.

A campanha de Flávio afirma que essas missões espalharam conteúdo falso e ofensivo, como o anúncio de uma suposta renúncia do senador, um falso plantão de apuração e afirmações de que ele cortaria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada. Diz ainda que Janones orientou os inscritos a agir "como robô" e repetir "a mesma narrativa".

Pela conta da petição, o canal saltou de cerca de 55 mil para 1.925.360 inscritos depois do primeiro turno, e seria dedicado à campanha do segundo turno a partir de 12/10. A ação também questiona R$ 1.374.934,00 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, dinheiro público, que a campanha de Janones teria aplicado em impulsionamento, inclusive em propaganda negativa contra Flávio.

Para envolver Lula e Alckmin, Flávio cita agendas conjuntas, material gráfico comum e um vídeo de 07/10 em que Lula chama a militância a entrar no "exército do Lula".

Os pedidos urgentes são amplos: suspender o canal até 26/10, um dia depois do segundo turno; suspender o perfil @janones.apoio no Instagram, que a ação chama de "reserva"; remover 26 links; barrar anúncios de Janones na Meta; e multa de R$ 100 mil por hora de descumprimento. No fim do processo, Flávio pede a cassação do registro ou do diploma de Lula e Alckmin e a inelegibilidade dos responsáveis.

O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, não concedeu nada por enquanto. Na decisão de 10/10, recebeu a ação, deu cinco dias para Lula, Alckmin e Janones apresentarem defesa e reservou os pedidos urgentes para depois que Flávio responder a quatro perguntas, em 72 horas.

Cueva quer saber se os mesmos pedidos já foram feitos em outros processos e com que resultado, qual a irregularidade concreta de cada uma das publicações, quais dados Flávio quer preservar e quais anúncios ainda estariam no ar. O que não for esclarecido pode deixar de ser analisado.

O ministro também deu cinco dias para Flávio anexar ao processo eletrônico as provas digitais: a campanha havia entregue um pen drive à Secretaria Judiciária em 07/10, o que, segundo a decisão, não basta. E negou o pedido de sigilo, tornando o processo público.

Janones reagiu em vídeo nas redes. "É uma tentativa clara de censura", disse, segundo o Metrópoles (10/10). Ele nega ter espalhado notícia falsa e diz que o canal serve para mobilizar apoiadores, segundo o Poder360.

A disputa nos tribunais corre nos dois sentidos: em 05/10, a pedido da coligação de Lula, o ministro André Mendonça multou Flávio em R$ 5 mil por impulsionar anúncio com críticas a Lula. O que falta agora: a resposta de Flávio, no prazo de 72 horas a partir da intimação, e a defesa dos três investigados.

Por que importa

A ação pede, no fim, a cassação da chapa de Lula, mas o primeiro passo do TSE foi cobrar de Flávio precisão antes de mexer no canal. Com o segundo turno em 25/10, o efeito prático depende de quanto tempo o tribunal leva: suspensão urgente só virá, se vier, depois dos esclarecimentos. O caso também testa até onde vai a mobilização organizada de apoiadores em aplicativo de mensagem.

O outro lado

André Janones chamou a ação de "tentativa clara de censura" em vídeo nas redes (Metrópoles, 10/10) e negou ter divulgado notícias falsas pelo canal (Poder360, 10/10). Lula e Alckmin não se manifestaram sobre a ação até a leitura das fontes, em 11/10; ambos têm cinco dias para apresentar defesa.

Leia também

Segundo turno · Natal e São Gonçalo (RJ)

Lula ataca o "tesouraço" de Flávio em Natal; Flávio quer a faixa das mãos do pai preso

No mesmo sábado, os dois candidatos foram para onde cada um é mais forte: Lula ao Nordeste, Flávio ao estado do Rio. A disputa do dia foi sobre quem paga a conta dos cortes de R$ 250 bilhões.

Domingo, 11 de outubro de 2026
Caso Banco Master · Polícia Federal

PF nega depoimento de Vorcaro contra Lula publicado pela Veja; governo cobra resposta

A revista disse que o dono do Banco Master relatou dinheiro para um filme sobre Lula. A Polícia Federal afirma que esse depoimento não existe, e Padilha, pela Advocacia-Geral da União, exige direito de resposta.

Domingo, 11 de outubro de 2026