Eleição 2026 · Casa Branca, Washington

Trump chama 1º turno de Flávio de "grande vitória" e prevê disputa apertada com Lula

O presidente dos Estados Unidos comentou o resultado brasileiro a jornalistas na porta da Casa Branca, na segunda-feira (05/10). Na véspera, tinha trocado o Brasil pela Índia num post sobre a apuração.

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Em 05/10, Donald Trump disse que o desempenho de Flávio Bolsonaro foi "uma grande vitória", "apertada", e previu um segundo turno "muito disputado".
  • Pelo arquivo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 100% das seções, Flávio teve 56.104.503 votos (47,03%) e Lula, 53.879.538 (45,16%).
  • Em 23/09, a campanha de Lula pediu ao TSE e ao Supremo que investigassem possível interferência dos Estados Unidos na eleição.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como uma "grande vitória" o resultado de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial brasileira. A fala foi dada na segunda-feira (05/10), em conversa rápida com jornalistas na saída da Casa Branca, e está no vídeo publicado no canal oficial da Casa Branca no YouTube.

Um repórter perguntou o que Trump achava da "vitória de Bolsonaro" no Brasil. A resposta, em inglês, foi: "Well, it's a big victory. Close, but very, very big victory. Amazing, actually". Em português: "Bem, é uma grande vitória. Apertada, mas uma vitória muito, muito grande. Incrível, na verdade".

Trump não pronunciou o nome de Flávio. A pergunta citava "Bolsonaro", e o único Bolsonaro candidato à Presidência neste ano é o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Minutos antes, na mesma entrevista, outra repórter perguntou como ele via os números que chegaram do Brasil. Trump respondeu: "I think Brazil will be a very close election" ("Acho que o Brasil terá uma eleição muito apertada").

Os números dão razão à palavra "apertada". No arquivo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerado em 05/10 às 12h51 com 100% das seções totalizadas, Flávio teve 56.104.503 votos (47,03% dos válidos) e Lula (PT), 53.879.538 (45,16%). A diferença é de 2.224.965 votos. Como ninguém passou de 50%, os dois voltam às urnas em 25/10.

A declaração veio um dia depois de um tropeço. Na noite de domingo (04/10), Trump publicou na rede Truth Social um texto elogiando a rapidez da apuração brasileira, mas escreveu Índia no lugar de Brasil. Depois corrigiu o post. Folha, g1, Gazeta do Povo e Poder360 registraram o erro e a correção. No mesmo texto, ele usou a contagem rápida do Brasil para atacar a apuração em cidades e estados americanos governados pela oposição democrata, às vésperas das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para novembro.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também comentou o resultado na segunda-feira (05/10). Disse que todos esperavam que a eleição fosse para o segundo turno e que o governo dos Estados Unidos vai acompanhar como as coisas se desenrolam, sem declarar preferência por nenhum dos candidatos, segundo g1 e Estadão.

A fala de Trump cai numa disputa que já estava aberta. Em 23/09, a campanha de Lula pediu ao TSE uma investigação sobre possível dinheiro estrangeiro na eleição e pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a abertura de inquérito sobre eventual interferência dos Estados Unidos a favor de Flávio. A lista de episódios citados inclui a aproximação do senador com Trump e o tarifaço sobre produtos brasileiros.

Flávio e o Departamento de Estado americano negam qualquer interferência, segundo o Poder360. A presidência do TSE afirmou que nem a Justiça Eleitoral nem os órgãos de inteligência identificaram sinal de interferência estrangeira.

Até a noite de terça-feira (06/10), o Portal não encontrou resposta pública de Lula, da campanha do PT ou do Itamaraty à fala de Trump de segunda-feira.

O que vem agora: a propaganda no rádio e na TV do segundo turno começa em 09/10, e a votação é em 25/10. Uma manifestação de Trump no meio da campanha é o tipo de fato que a campanha de Lula já apontou à Justiça Eleitoral, e que o TSE terá de avaliar se chegar a ele como nova representação.

Por que importa

Trump é o líder estrangeiro mais citado nesta campanha: Lula acusa o governo americano de agir a favor de Flávio, e Flávio usa a proximidade com Washington como trunfo. Uma frase de apoio na porta da Casa Branca, a 20 dias do segundo turno, alimenta os dois discursos e pode virar peça de propaganda e de processo na Justiça Eleitoral.

O outro lado

Até a noite de 06/10, Lula, a campanha do PT e o Itamaraty não se manifestaram publicamente sobre a fala de Trump de 05/10. Antes, em 23/09, a campanha de Lula já tinha pedido ao TSE e ao STF investigação sobre interferência americana; Flávio e o Departamento de Estado negam interferência (Poder360).

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