Supremo Tribunal Federal · Caso Banco Master

Inquérito de Vorcaro no STF recebe petição sigilosa de defesa e volta à mesa de Mendonça

A petição 126256 entrou às 15h26 de 06/10 no Inquérito 5026, que tem 12 investigados. É a sétima petição no caso desde 21/09, e o conteúdo não é público.

Briefing do Rumo nº 4 · Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Em resumo

  • A petição de defesa 126256 foi juntada ao Inquérito 5026 às 15h26min38s de 06/10 e o caso foi ao relator no mesmo dia.
  • O inquérito, aberto no STF em 22/12/2025, lista 12 investigados, entre eles Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master.
  • De 21/09 a 06/10 o processo recebeu sete petições, uma delas com documentos da Polícia Federal (22/09).

Às 15h26min38s de 06/10, uma defesa protocolou a petição 126256 no Inquérito 5026, do Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo dia, o andamento registrou "Conclusos ao(à) Relator(a)", o termo do tribunal para dizer que o processo foi para a mesa do ministro responsável, André Mendonça. O registro foi lido pelo Portal no site do STF.

O andamento classifica o documento só como "Petição Defesa". Não informa qual investigado o assinou nem o que ele pede. O sigilo do caso esconde o conteúdo; o que fica público é a hora em que cada papel entra e sai.

O Inquérito 5026 foi autuado em 22/12/2025 e investiga o caso do Banco Master. A lista de partes no site do STF tem 12 investigados: Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, Henrique Souza e Silva Peretto, Alberto Felix de Oliveira Neto, Robério Cesar Bonfim Mangueira, Luiz Antonio Bull, Angelo Antonio Ribeiro da Silva, Dario Oswaldo Garcia Junior, Ascendino Madureira Garcia, Daniel Bueno Vorcaro, Augusto Ferreira Lima e Fabiano Campos Zettel. O autor é o Ministério Público Federal, e a Polícia Federal (PF) aparece como autoridade policial. Ao todo, 57 advogados estão cadastrados.

Paulo Henrique Costa é ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal. Em maio, Mendonça autorizou a transferência dele para a Papudinha, em Brasília, segundo a Agência Brasil.

O ritmo do processo acelerou nas últimas semanas. Desde 21/09 o andamento mostra sete petições: 118792 (21/09), 119707 com documentos da Polícia Federal (22/09), 120103 e 120297 (23/09), 123061 (29/09), 123864 (01/10) e agora a 126256 (06/10). Depois de cada uma, o processo voltou ao relator.

As operações da PF sobre o Master e o BRB já tinham levado 13 pessoas à prisão até abril, segundo a Agência Brasil. Vorcaro segue preso: em setembro, a defesa dele ainda tentava levar aos ministros um pedido de soltura.

As defesas têm tentado chegar aos ministros. Em 23/09, o Poder360 informou que os advogados de Vorcaro pediram audiências ao presidente do STF, Edson Fachin, e a Mendonça para apresentar um pedido de soltura. Segundo o veículo, o gabinete de Mendonça respondeu que "os atendimentos sobre os processos do Banco Master e INSS estão temporariamente suspensos". O advogado Sérgio Leonardo reagiu: "Causa perplexidade que a garantia constitucional de acesso à Justiça esteja inviabilizada".

O caso Master também chegou a outra frente no Supremo. Em setembro, Mendonça disse que queria levar ao plenário as conversas atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, encontradas no celular do banqueiro (Agência Brasil).

O que muda agora: nada, por enquanto. A petição só passa a ter efeito quando Mendonça responder, com decisão ou despacho. Até a leitura do Portal na manhã de 07/10, não havia andamento posterior à remessa ao relator.

O que falta: saber quem protocolou a petição e o que ela pede. Isso só aparece se a defesa divulgar, se a decisão de Mendonça citar o pedido ou se o sigilo for levantado.

Por que importa

O Inquérito 5026 é um dos processos centrais do caso Banco Master, que já levou um ex-presidente de banco público à cadeia e chegou a conversas atribuídas a um ministro do Supremo. Cada petição de defesa pode ser um pedido de soltura, de acesso a provas ou de colaboração, e a resposta de Mendonça diz para onde o caso anda. Acompanhar o andamento é a única forma de saber, no minuto em que acontece, que algo mudou.

O outro lado

Nenhuma defesa dos 12 investigados divulgou o conteúdo da petição 126256 até a manhã de 07/10. O gabinete de André Mendonça também não se manifestou sobre ela.