Tribunal Superior Eleitoral · Presidência

Flávio Bolsonaro termina 2,3 milhões de votos à frente e leva Lula ao 2º turno

Nenhum dos dois passou da metade dos votos válidos. A decisão fica para 25/10, e os 8,7 milhões de votos de Cury, Renan Santos e Caiado viram o terreno da disputa.

Briefing do Rumo nº 2 · Domingo, 4 de outubro de 2026

Fotos: Andressa Anholete/Agência Senado (CC BY-SA 4.0) e Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro (PL) teve 56.062.300 votos (47,07%) e Lula (PT), 53.733.900 (45,11%), com 99,83% das seções apuradas.
  • A abstenção foi de 21,07%: 33.393.877 eleitores não foram votar.
  • O segundo turno é em 25/10, e a propaganda no rádio e na TV volta em 09/10.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão decidir a Presidência no segundo turno, em 25/10. Na leitura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 22h08 de 04/10, com 99,83% das seções apuradas, Flávio tinha 56.062.300 votos (47,07% dos válidos) e Lula, 53.733.900 (45,11%). A diferença era de 2.328.400 votos.

Para vencer no primeiro turno era preciso mais da metade dos votos válidos, conta da qual brancos e nulos ficam fora. O TSE confirmou o segundo turno às 20h56, com 96,78% das urnas apuradas. Flávio chegou a passar de 50% nas primeiras horas e caiu abaixo da metade por volta das 19h15, com 64% apurado.

Ficaram pelo caminho o escritor Augusto Cury (Avante), com 3.445.191 votos (2,89%); Renan Santos (Missão), com 2.674.137 (2,25%); Ronaldo Caiado (PSD), com 2.603.282 (2,19%); e Romeu Zema (Novo), com 326.226 (0,27%). Os outros seis candidatos somaram 0,21%.

Dos 158.745.502 eleitores aptos, 33.393.877 não votaram, uma abstenção de 21,07%. Entre os que foram às urnas, 2.298.274 votaram em branco (1,84%) e 3.667.536 anularam (2,93%).

Somando os resultados oficiais estado por estado (cálculo do Portal com dados do TSE), Flávio teve 60,08% no Sul, 56,51% no Centro-Oeste, 51,37% no Sudeste e 49,22% no Norte. Lula venceu no Nordeste, com 63,71%. Flávio ganhou em 15 unidades da Federação; Lula, em 12.

Em São Paulo, Flávio fez 51,93% contra 38,20%; no Rio de Janeiro, 53,01% contra 39,42%. Em Minas Gerais, estado que Zema governou, Flávio teve 48,29%, Lula 43,27% e Zema 0,82%. Na Bahia, Lula fez 66,05% contra 28,63%. Em Goiás, que governou, Caiado ficou em terceiro, com 12,33%, atrás de Flávio (53,61%) e Lula (31,06%).

No comitê do Lago Sul, em Brasília, Flávio disse: "É o fim da era do PT, está decretada a mudança no país". Também afirmou que, se eleito, poderá indicar "pelo menos" quatro ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em São Paulo, Lula admitiu a surpresa: "Confesso que estava convencido de que ia ganhar as eleições em primeiro turno". E completou: "Eu sou muito bom no mata-mata" e "O jogo vai começar. Estamos na prorrogação".

Entre os derrotados, Zema falou em Belo Horizonte: "Onde tiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT". Renan Santos repetiu na campanha que não apoiaria nenhum dos dois. Caiado havia escrito em 15/08 que "em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno" estaria ao lado de Lula ou do PT.

A propaganda gratuita no rádio e na TV volta em 09/10 e vai até 23/10, com tempo igual para os dois. A votação é em 25/10, das 8h às 17h (horário de Brasília). Se Flávio vencer, toma posse aos 45 anos em 05/01/2027; se Lula vencer, assume o quarto mandato aos 81.

Por que importa

A vantagem de Flávio, de 2,3 milhões de votos, é menor que os 8,7 milhões que Cury, Renan Santos e Caiado somaram, e menor que um décimo dos 33,4 milhões de eleitores que não foram votar. É nesse universo que está a diferença a ser tirada até 25/10.

O outro lado

Lula (PT), em São Paulo, na noite de 04/10: "O resultado muitas vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria" e "Eu sou muito bom no mata-mata". Para ele, o segundo turno é a "prova dos nove" da eleição (g1 e Metrópoles).