Caso Master · Eleição 2026

Equipe de Oliver Stone nega ter recebido dinheiro de Vorcaro para o filme "Lula"

A produção do documentário rebate o áudio atribuído ao ex-dono do Banco Master e publicado pela Veja. Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República dizem que Vorcaro nunca depôs sobre o assunto.

Briefing do Rumo nº 5 · Domingo, 11 de outubro de 2026

Foto: Ricardo Stuckert/PR (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Em 09/10, a revista Veja publicou um áudio atribuído a Daniel Vorcaro e trechos de uma proposta de delação que falam em R$ 30 milhões em dinheiro vivo para o filme "Lula", de 2024.
  • No mesmo 09/10, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram que Vorcaro tenha prestado depoimento ou entregue documentos sobre esse repasse.
  • A equipe de Oliver Stone e Rob Wilson disse à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que o filme nunca recebeu recursos de Vorcaro, repetindo nota que já havia divulgado em maio de 2026.

A equipe do cineasta norte-americano Oliver Stone afirmou à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que o documentário "Lula", dirigido por ele em parceria com Rob Wilson, nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo os auxiliares, Stone não pediu nem recebeu recursos do empresário.

A negativa responde a uma reportagem da revista Veja de 09/10. A revista publicou um áudio atribuído a Vorcaro e trechos de uma proposta de colaboração premiada (a delação, em que o investigado conta o que sabe em troca de redução de pena) segundo a qual ele teria liberado R$ 30 milhões em espécie ao Instituto Lula para ajudar a bancar o filme, com intermediação do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

No áudio, conforme a transcrição divulgada pela Veja e reproduzida pela Gazeta do Povo, Vorcaro diz: "O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, eu acho que dá até mais." E em seguida: "Só que o do Lula foi por fora, né? Do Lula foi errado. O do Flávio não foi porque pediu patrocínio". A data da gravação não foi informada.

O "filme do Flávio" é "Dark Horse", longa sobre Jair Bolsonaro que teve apoio de produção do senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje candidato à Presidência. Reportagens anteriores mostraram áudios em que Flávio pede dinheiro a Vorcaro para esse projeto. Flávio sustenta que se tratou de "financiamento privado a um filme igualmente privado".

A versão da produção de "Lula" não é nova. Em maio de 2026, quando a suspeita apareceu pela primeira vez, produtores e diretores divulgaram nota rejeitando "quaisquer recebimentos de recursos, investimentos, patrocínios ou contribuições de qualquer natureza" vindos de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas e fundos ligados a eles. A equipe disse se reservar o direito de ir à Justiça contra alegações falsas.

As duas instituições que negociaram a delação também contestam a reportagem. Em nota de 09/10, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo descrito e que as propostas de colaboração não foram aceitas por não cumprirem requisitos legais. A PF informou ainda ter recebido, no mesmo dia, uma notícia-crime pedindo providências sobre a publicação.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse que as conversas foram conduzidas pelos advogados de Vorcaro e que "não houve interlocução direta do senhor Vorcaro com qualquer representante da PGR". A proposta foi rejeitada.

A própria defesa de Vorcaro se distanciou do material: "A defesa não confirma o conteúdo de qualquer material divulgado", disse à CNN Brasil. Pessoas próximas ao ex-banqueiro, ouvidas pela emissora, reconhecem a voz, mas suspeitam de gravação clandestina feita na prisão, porque o início do arquivo indicaria a presença de uma terceira pessoa.

Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula, negou em nota de 09/10, divulgada pelo Poder360, conhecer Vorcaro e disse que a entidade não participou da produção nem da captação de recursos para o filme.

No sábado, 10/10, em Belo Horizonte, o ministro Alexandre Padilha disse a jornalistas que o caso "foi uma farsa montada ontem". O relato atribuído a Vorcaro também o cita como parte de um grupo que cobraria propina sobre investimentos de fundos de pensão no Master, o que ele nega.

O que falta: a autenticidade do áudio não foi atestada por perícia oficial, a data da gravação segue desconhecida e a notícia-crime recebida pela PF ainda está em análise técnica. A campanha de Lula anunciou medidas judiciais contra a reportagem.

Por que importa

A duas semanas do segundo turno, um áudio sem data, sem perícia e negado pelos órgãos que negociaram a delação virou munição de campanha dos dois lados. Quem acompanha o caso Master precisa separar o que é investigação formal do que é gravação vazada: até agora, nenhum órgão oficial confirmou repasse ao filme sobre Lula.

O outro lado

Lula, à Veja, disse que jamais solicitou ou recebeu vantagem financeira de Vorcaro nem autorizou terceiros a receber em seu nome; sua campanha chamou o relato de "farsa com objetivos eleitorais" (09/10). A defesa de Vorcaro não confirma o conteúdo do material. A Veja não se manifestou sobre a negativa da equipe de Stone até a leitura desta matéria.

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