Agenda da semana · inflação e atividade

Inflação dos EUA e termômetro da economia do Banco Central testam o mercado na semana

Entre 13/10 e 16/10 saem os preços ao consumidor americano e os dados de serviços, varejo e atividade do Brasil. A economia brasileira chega a esses números depois de dois meses de queda no índice do Banco Central.

Rumo Economia · 11 de outubro de 2026

Foto: Wilfredor / CC0, via Wikimedia Commons

Em resumo

  • O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) de setembro sai em 14/10, segundo o calendário oficial do Departamento do Trabalho americano.
  • O IBGE divulga o volume de serviços de agosto em 14/10 e as vendas do varejo de agosto em 15/10.
  • Em julho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,2% sobre junho, segundo a Agência Brasil e a InfoMoney.

A semana de 12/10 a 16/10 começa mais curta. Na segunda-feira, feriado de Nossa Senhora Aparecida, a bolsa brasileira não abre, e nos Estados Unidos o mercado de títulos do Tesouro também para por causa do Dia de Colombo, segundo o Valor Econômico. Por isso, o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com as projeções de economistas para inflação, juros e crescimento, fica para terça-feira, 13/10.

O dado de maior peso lá fora é a inflação ao consumidor dos Estados Unidos (CPI, na sigla em inglês), referente a setembro, que sai na quarta-feira, 14/10, às 9h30 de Brasília, segundo o calendário do Escritório de Estatísticas do Trabalho (BLS) americano. No dia seguinte, 15/10, vem a inflação ao produtor (PPI), que mede os preços cobrados pelas empresas e costuma antecipar o que chega ao consumidor.

Para entender por que isso mexe com o Brasil: a inflação americana orienta o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, na decisão sobre os juros de lá. Juros americanos mais altos atraem dinheiro para os títulos dos EUA e tendem a fortalecer o dólar diante do real; juros mais baixos fazem o caminho contrário.

O ponto de partida: em agosto, os preços ao consumidor nos EUA subiram 0,4% no mês, com ajuste sazonal, e acumularam alta de 3,4% em 12 meses, segundo o BLS. O núcleo, que exclui alimentos e energia por serem mais voláteis, subiu 0,3% no mês e 2,4% em 12 meses.

Também na quarta-feira o Fed publica o Livro Bege, um resumo das condições econômicas relatadas em cada um dos 12 distritos do banco central americano, segundo o Valor. Nos EUA ainda saem as vendas do varejo (quinta) e a produção industrial (sexta). Na China, os índices de inflação ao consumidor e ao produtor são divulgados na noite de terça-feira.

No Brasil, o foco é a atividade econômica. Na quarta-feira, 14/10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a Pesquisa Mensal de Serviços de agosto; na quinta, 15/10, a Pesquisa Mensal de Comércio, também de agosto, conforme o calendário oficial do instituto. Na sexta, 16/10, o Banco Central fecha a semana com o IBC-Br, indicador que funciona como uma prévia mensal do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Valor.

Os números de julho mostram uma economia perdendo fôlego. O volume de serviços ficou estável em relação a junho, segundo o IBGE. As vendas do varejo caíram 0,8% na mesma comparação, segundo o IBGE e a Agência Brasil. E o IBC-Br recuou 0,2% em julho, o segundo mês seguido de queda, segundo a Agência Brasil e a InfoMoney.

Os dados de agosto vão dizer se essa desaceleração continuou. Uma economia mais fraca reduz a pressão sobre os preços e pode abrir espaço para o Banco Central cortar a Selic, a taxa básica de juros; uma economia que resiste mantém os juros altos por mais tempo.

Tudo isso acontece com o segundo turno da eleição presidencial, em 25/10, no radar dos investidores. Depois de uma semana de forte alta da bolsa e queda do dólar, os indicadores ajudam a separar o que é aposta eleitoral do que é mudança nos fundamentos da economia.

Por que importa

Esses números chegam ao bolso pelos juros e pelo dólar: inflação alta nos EUA tende a encarecer o dólar, o que pesa em combustível, eletrônicos e viagens, e uma economia brasileira fraca aumenta a chance de a Selic cair, barateando crédito mas também reduzindo o rendimento da renda fixa. Para quem tem emprego ligado a comércio e serviços, os dados de agosto mostram se o freio de julho virou tendência.

O outro lado

Não se aplica: trata-se de agenda de divulgações oficiais, sem parte contrária.

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