Emails da PF ligam conta de Flávio Bolsonaro a advogado suspeito de lavar dinheiro do INSS
Mensagens achadas no armazenamento em nuvem de Willer Tomaz mostram uma conta do Santander em nome de Flávio vinculada ao acesso bancário de uma empresa do advogado. Os dois negam.

Em resumo
- Em maio de 2025, um funcionário de Willer Tomaz pediu ao Santander que desvinculasse a conta "Flávio Bolsonaro" do acesso ligado a uma empresa do advogado, segundo emails obtidos pela Polícia Federal.
- Tomaz foi alvo de busca e apreensão em 04/08/2026 numa fase da Operação Sem Desconto, que apura lavagem de dinheiro ligada às fraudes no INSS.
- O caso foi revelado pelo UOL e confirmado pela Folha de S.Paulo em 10/10, a 15 dias do segundo turno.
Emails obtidos pela Polícia Federal (PF) indicam que uma conta bancária em nome do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, estava vinculada ao mesmo acesso bancário usado por uma empresa do advogado e empresário Willer Tomaz, suspeito de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha de S.Paulo em 10/10.
As mensagens foram recuperadas do armazenamento em nuvem (iCloud) de Tomaz. Uma das trocas de email foi entre um funcionário do advogado e o banco Santander e tratava de uma conta da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.
Em maio de 2025, esse funcionário pediu ao banco que retirasse a conta "Flávio Bolsonaro" do chamado usuário master, o perfil que concentra o acesso às contas da empresa. Os emails não informam o que circulou pela conta nem desde quando ela estava vinculada.
Para entender o pano de fundo: a Operação Sem Desconto foi lançada em abril de 2025 pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS, feitos em nome de associações. Em 04/08/2026, uma nova fase cumpriu 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão, segundo o Metrópoles.
Tomaz foi um dos alvos dessa fase, ao lado de parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA). A PF suspeita que o advogado tenha ajudado a lavar recursos para o senador; segundo a investigação, citada pela CNN Brasil, a mulher de Weverton recebeu mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas a Tomaz. Ele nega ser investigado no caso do INSS.
Tomaz já era conhecido de Flávio por outro episódio. Em setembro, a revista Piauí revelou que, em janeiro de 2025, o advogado acompanhou Flávio e a família num voo da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília, num jato administrado por uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Flávio reagiu no X: "Ainda bem que na época o avião era de Willer".
Tomaz também tem histórico com a PF: foi preso em 2017 na Operação Patmos, aberta a partir da delação da JBS, acusado de intermediar o vazamento de informações sigilosas do Ministério Público Federal. A acusação foi rejeitada pela Justiça.
A reportagem não aponta, até aqui, participação de Flávio nas fraudes do INSS, e não há registro de que o senador seja investigado na Operação Sem Desconto. O que os emails mostram é um vínculo bancário com a empresa de um dos alvos, desfeito em maio de 2025.
Segundo a defesa de Tomaz, a PF abriu investigação sobre o vazamento das informações, que estavam sob sigilo. O advogado também diz ter tomado medidas criminais contra a publicação.
O que falta: saber se a PF vai pedir explicações a Flávio sobre a conta, o que a investigação concluiu sobre a Alcazar Holdings e o resultado da apuração sobre o vazamento.
Por que importa
É a primeira vez que um documento recolhido pela PF numa investigação de lavagem ligada ao INSS aparece associado ao nome do candidato à Presidência. Isso não prova crime, e Flávio nega a conta, mas o caso entra na reta final da campanha e deve ser cobrado nos debates.
O outro lado
A assessoria de Flávio Bolsonaro disse que ele "nunca manteve conta tendo como usuário master o sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas" e que afirmação em contrário "é falsa"; disse ainda que a divulgação em período eleitoral espalha fake news e que os responsáveis serão processados (10/10). A defesa de Tomaz afirmou que os dois têm "apenas amizade, sem relação comercial ou financeira" e que a informação é falsa e tem motivação eleitoral.
Fontes
- Folha de S.Paulo — Emails indicam que Flávio Bolsonaro dividia conta com suspeito de lavar dinheiro do INSS (republicado por A Gazeta)
- Folha de S.Paulo — original
- CNN Brasil — Quem é o advogado que diz ter bancado voo de Flávio em jato de Vorcaro (24/09)
- Metrópoles — Sem Desconto: PF mira família do senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz


