Supremo Tribunal Federal · Brasília

Moraes arquiva investigação contra Eustáquio e Allan dos Santos; Eustáquio já faz as malas

A Procuradoria não achou prova de que o grupo se organizou contra o delegado da Polícia Federal Fábio Shor. A decisão é de 04/09, mas só veio a público em 06/10, e as ordens de prisão contra Eustáquio continuam.

Briefing do Rumo nº 4 · Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil (CC BY 3.0 BR)

Em resumo

  • O ministro Alexandre de Moraes arquivou em 04/09 a Petição 12.404, que investigava Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos, o senador Marcos do Val e o jornalista Ednardo Raposo.
  • A Polícia Federal tinha indiciado os quatro em agosto de 2025 por obstrução de investigação e incitação ao crime; a Procuradoria-Geral da República pediu o arquivamento por falta de provas.
  • Em 06/10, dia em que a decisão se tornou pública, Eustáquio disse que prepara a volta ao Brasil, mas só depois de uma eventual posse de Flávio Bolsonaro.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encerrou a investigação que apurava se os jornalistas Oswaldo Eustáquio, Allan dos Santos e Ednardo D'Ávila Raposo e o senador Marcos do Val, do Espírito Santo, montaram uma campanha nas redes contra o delegado da Polícia Federal (PF) Fábio Shor e contra ministros da Corte. O caso tramitava como Petição 12.404.

A decisão foi assinada em 04/09 e registrada no sistema do tribunal em 30/09, segundo a Gazeta do Povo. Só veio a público na tarde de 06/10, dois dias depois do primeiro turno.

Moraes seguiu o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na decisão, segundo trecho publicado pelo Metrópoles, o ministro escreveu: "Acolho a manifestação da Procuradoria-Geral da República e defiro o arquivamento desta investigação".

A PF havia indiciado os quatro em agosto de 2025 por dois crimes: obstrução de investigações ligadas a organização criminosa e incitação ao crime. A apuração reuniu postagens, registros telefônicos, conversas privadas, dados fiscais e bancários e depoimentos.

A Procuradoria concluiu que o material mostrava intenção de atacar a reputação dos agentes públicos, mas não provava uma ação organizada para incitar crimes nem para atrapalhar, de forma concreta, alguma investigação específica. O que sobrou, segundo a PGR, poderia ser crime contra a honra, e esse tipo de crime só é processado se o ofendido pedir formalmente. Não houve esse pedido.

Shor é o delegado que conduziu no STF investigações como a da trama golpista que levou à condenação de Jair Bolsonaro. Em março de 2026 ele foi nomeado assessor no gabinete de Moraes, segundo o Poder360.

O arquivamento não muda a situação de Eustáquio. Ele vive na Espanha desde 2023 e é considerado foragido pela Justiça brasileira, com ordens de prisão expedidas por Moraes em outros casos. Em dezembro de 2025, a Audiência Nacional da Espanha negou de forma definitiva o pedido brasileiro de extradição. Em agosto de 2026, a PGR o denunciou por associação criminosa por atos contra o resultado da eleição de 2022.

A defesa de Eustáquio confirmou o arquivamento e disse que vai pedir ao STF a revogação do mandado de prisão.

No mesmo dia, Eustáquio ligou a volta ao resultado de 25/10. Ao Metrópoles, disse: "Estou preparando minha volta, mas estou fazendo isso com muita segurança jurídica. Mas devo fazer isso após a posse do Flávio Bolsonaro". Ao Poder360, disse: "Agora eu já estou arrumando as minhas malas para voltar ao Brasil".

Eustáquio foi candidato a deputado federal pelo Paraná em 2026 e teve 2.655 votos, segundo o Poder360. Não se elegeu.

O que falta: o STF decidir sobre o pedido de revogação da prisão quando a defesa o apresentar, e a denúncia de agosto ainda precisa ser analisada pela Corte.

Por que importa

O caso era um dos usados pela oposição como exemplo de investigação aberta por Moraes contra críticos do tribunal, e terminou sem denúncia por falta de prova de crime organizado. Para o leitor, o ponto prático é outro: o arquivamento não devolve a liberdade de ninguém por si só, e Eustáquio já atrelou publicamente o próprio retorno ao resultado do segundo turno.

O outro lado

Allan dos Santos reagiu nas redes em 06/10, segundo a Gazeta do Povo: "Sem anistia. Parece que Moraes começou arquivar seus inquéritos que são, agora, alvos da investigação...". A defesa de Eustáquio disse que pedirá a revogação do mandado de prisão. Até a leitura de 07/10 não localizamos manifestação do gabinete de Moraes ou do delegado Fábio Shor sobre a decisão.

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