Supremo Tribunal Federal · Brasília

Marinho, coordenador de Flávio, diz a Fachin: não haverá "vingança nem omissão" ao STF

Na mesma conversa, o senador acusou Moraes, Dino e Gilmar de interferir na eleição e defendeu regra que facilita o impeachment de ministros. À noite, foi internado em Brasília com febre e mal-estar.

Briefing do Rumo nº 4 · Quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Foto: Agência Senado (CC BY 2.0)

Em resumo

  • Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, se reuniu com o presidente do STF, Edson Fachin, em 06/10, dois dias depois do primeiro turno.
  • Marinho defende o Projeto de Resolução do Senado 54/2026, de 18/09, pelo qual 49 senadores bastariam para abrir impeachment de ministro do STF.
  • Na noite de 06/10 ele deu entrada no Hospital DF Star, em Brasília, com febre e mal-estar, depois de um evento de campanha em Goiânia.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e líder da oposição no Senado, foi recebido em 06/10 pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Ao sair, deu a frase que resume o recado da campanha à Corte: "Não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão", segundo o Poder360 e a Gazeta do Povo.

O "não haverá omissão" tem endereço. Marinho disse ter levado a Fachin a preocupação da campanha com o que chamou de "intervenção continuada" de ministros do STF na Justiça Eleitoral, e citou três nomes: Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes.

Sobre Moraes e Dino, disse ao Poder360 que "claramente o viés político tem dominado as ações" dos dois. Mesmo assim, afirmou que uma conversa com eles "não é impossível", mas só depois do segundo turno.

Segundo o Metrópoles, Marinho também se queixou de pedidos apresentados por deputados de esquerda na ADPF 854, ação sobre emendas parlamentares relatada por Dino, que, na visão dele, contornam o sorteio de processos do tribunal.

A ameaça de não se omitir já tem forma de papel. Em 18/09, Marinho apresentou o Projeto de Resolução do Senado 54/2026. Pela regra atual, um pedido de impeachment de ministro do STF pode ficar parado indefinidamente na mesa do presidente do Senado. O projeto dá a ele 30 dias úteis para decidir e permite que 49 senadores, três quintos da Casa, levem o pedido adiante mesmo contra a vontade dele.

O tema pesa mais agora porque o PL anunciou que lançará Marinho à presidência do Senado em 2027, em vez de apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Em evento de campanha em Goiânia, no mesmo dia, aliados de Flávio já o trataram como futuro presidente da Casa.

Marinho também disse que a campanha quer "reconstruir o país" e "normalizar a relação entre os Poderes". Sobre Débora Rodrigues, a mulher condenada a 14 anos de prisão por pichar com batom a estátua da Justiça em 08/01/2023, chamou a pena de "desproporcional e injusta".

Na mesma tarde, Marinho atacou a decisão de Alcolumbre de pôr em debate a proposta que acaba com a escala 6x1. Chamou a análise de "oportunista e eleitoreira" e perguntou: "É bom lembrar que o PT há 18 anos governa o país, 14 anos antes e 4 anos depois. Por que agora?", segundo o Poder360.

Logo depois de Marinho, Fachin recebeu a líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), que levou ao presidente do STF a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a da escala 6x1.

À noite, na volta de Goiânia, Marinho passou mal no avião e deu entrada no Hospital DF Star, em Brasília. O boletim do hospital informou febre associada a mal-estar e disse que ele ficou internado para exames e tratamento clínico e que estava bem.

O que falta: saber quando Marinho recebe alta e se volta à campanha, que tem 18 dias até o segundo turno de 25/10. O projeto de impeachment ainda não tem data para votação.

Por que importa

A frase de Marinho tem duas metades, e a segunda é a que pode mudar o funcionamento do país: se Flávio vencer e o PL presidir o Senado, a abertura de impeachment de ministro do STF pode deixar de depender de uma pessoa só. É a primeira vez que a campanha diz isso ao próprio presidente do Supremo, olho no olho, a 19 dias da eleição.

O outro lado

Até a leitura de 07/10 não localizamos nota do STF ou de Fachin sobre o teor da reunião, nem resposta de Moraes, Dino ou Gilmar às acusações de Marinho. Do lado do governo, Teresa Leitão foi ao mesmo gabinete na mesma tarde, e o presidente Lula, sobre a PEC da 6x1, disse em 06/10 que o PL "vai demonstrar se tem coragem ou não de votar" (Metrópoles).

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