Eleição 2026 · Minas Gerais

Zema, sexto com 0,27%, declara voto em Flávio: "não vou ficar em cima do muro"

O ex-governador de Minas e candidato derrotado do Novo publicou vídeo pedindo voto em Flávio Bolsonaro contra Lula. O Novo se reúne com a campanha do PL nesta quarta (07/10).

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Romeu Zema (Novo) teve 326.488 votos, 0,27% dos válidos, e terminou o primeiro turno em sexto lugar, segundo o Poder360.
  • Às 19h48 de 05/10, publicou vídeo declarando voto em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno de 25/10.
  • Flávio disse que agradeceu a Zema e que recebe a bancada do Novo nesta quarta-feira (07/10).

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que disputou a Presidência e ficou em sexto lugar, declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio foi feito num vídeo nas redes sociais publicado às 19h48 de segunda (05/10), segundo o Poder360.

No vídeo, Zema disse: "Precisamos tirar os intocáveis de Brasília". E completou: "Eu não vou me omitir nem ficar em cima do muro nesse momento tão importante. Voto contra o PT, voto no Flávio Bolsonaro. O Brasil não aguenta mais 4 anos de Lula nem mais 4 ministros nomeados pelo Lula. Tamo juntos no dia 25. Conto com você!" (Poder360, 05/10; a frase do muro também foi registrada por g1, Folha e UOL).

A menção a "4 ministros" remete ao Supremo Tribunal Federal (STF): pela Constituição, é o presidente da República quem indica os ministros da Corte, e o Senado aprova. No trecho divulgado, Zema não diz quem são os "intocáveis".

O apoio já tinha sido sinalizado na noite do primeiro turno. No domingo (04/10), num bar em Belo Horizonte onde acompanhava a apuração com o Novo, Zema disse: "Onde tiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT" e "Eu, Girão e o Novo estaremos do outro lado", em referência ao vice dele, Eduardo Girão (Metrópoles, 04/10, 21h53).

Na mesma noite, ele se disse "muito satisfeito" com o resultado: "Deu para perceber claramente um avanço da direita muito maior do que as pesquisas apontavam". E indicou a meta do partido: "A nossa grande prioridade é cumprir a cláusula de barreira, já que isso vai proporcionar a perenidade do partido". Cláusula de barreira é o desempenho mínimo nas urnas que um partido precisa para ter tempo de TV e dinheiro do fundo partidário.

Os números de Zema foram baixos: 326.488 votos, ou 0,27% dos válidos (Poder360). O peso do apoio, portanto, não está nos votos próprios, mas no fato de ele ter governado Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, por dois mandatos.

O resultado nacional do primeiro turno, pela totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com 99,99% das seções apuradas, foi Flávio com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16% (leitura das 01h20 de 05/10).

Zema chega ao segundo turno com um problema na Justiça. No domingo (04/10), ele entrou com o celular na cabine de votação em Araxá (MG), admitiu, e o Ministério Público Eleitoral o denunciou ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) por violação do sigilo do voto, como o Portal noticiou na edição anterior. O TRE ainda não decidiu se recebe a denúncia.

Flávio respondeu ao gesto. Na terça (06/10), disse que agradeceu a Zema pelo apoio e que recebe a bancada do Novo nesta quarta (07/10), depois de ter conversado com Republicanos e Podemos (Estadão, via UOL, e Gazeta do Povo, 06/10).

O que falta: a posição oficial do Novo como partido no segundo turno, que deve sair da reunião de quarta (07/10); e se Zema vai fazer campanha ativa por Flávio em Minas, onde a propaganda no rádio e na TV volta em 09/10.

Por que importa

Zema teve poucos votos, mas governou por dois mandatos o segundo maior eleitorado do país, onde os dois finalistas disputam voto a voto. O apoio dele também puxa o Novo, partido que elegeu parlamentares e pode reforçar a base de Flávio no Congresso se ele vencer.

O outro lado

Até a leitura desta matéria, em 06/10, não foi localizada resposta pública de Lula, do PT ou da campanha petista ao apoio de Zema.

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