Eleição 2026 · Brasília

Com Tarcísio ao lado, Flávio vai atrás de Republicanos e Podemos, neutros no 1º turno

O candidato do PL fez na terça-feira (06/10) a primeira conversa com os dois partidos. Eles levam a decisão às bancadas, e a campanha quer fechar as novas alianças até quinta-feira (08/10).

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: Governo do Estado de São Paulo (CC BY 4.0)

Em resumo

  • Em 06/10, em Brasília, Flávio Bolsonaro se reuniu com representantes do Republicanos e do Podemos, com o governador Tarcísio de Freitas presente.
  • Republicanos, Podemos, PP e União Brasil ficaram neutros no primeiro turno; a campanha de Flávio quer concluir as negociações até 08/10, segundo a CNN.
  • Em São Paulo, estado de Tarcísio, Flávio teve 12.922.023 votos (51,93%) contra 9.505.413 de Lula (38,20%), pelo arquivo oficial do TSE.

Flávio Bolsonaro (PL) passou a terça-feira (06/10) em Brasília tentando trazer para sua campanha dois partidos que ficaram fora dela no primeiro turno: o Republicanos e o Podemos. Ao lado dele estava o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é do Republicanos e virou o principal articulador da aproximação.

Depois da reunião, Flávio disse que houve uma primeira conversa e que nada foi fechado ainda. "Eles vão voltar para suas bancadas para tomarem alguma decisão em conjunto", afirmou o senador, segundo o Poder360. Sobre o governador, disse: "É uma grande honra estar aqui com o Tarcísio, governador de São Paulo, ajudando nesse momento de construção dessa unidade".

Por que esses partidos importam: no primeiro turno, Republicanos, Podemos, PP e União Brasil não apoiaram nenhum candidato a presidente, segundo a CNN. São siglas do chamado Centrão, com bancadas grandes no Congresso e prefeitos e deputados espalhados pelo país, que ajudam a levar o candidato a cidades onde ele tem pouca estrutura.

O Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira, decidiu em agosto não apoiar ninguém na corrida presidencial. Pereira chegou a declarar voto pessoal em Flávio em São Paulo, mas o partido manteve a neutralidade nacional. A cúpula da legenda marcou encontros entre terça (06/10) e quarta-feira (07/10) para rediscutir a posição, segundo a CNN.

Tarcísio vem pressionando o próprio partido desde segunda-feira (05/10). Antes de embarcar para Brasília, disse à rádio CBN que fará "toda a força" para o Republicanos apoiar Flávio, segundo o Estadão. Na segunda, ele já tinha almoçado com o deputado Nikolas Ferreira (PL) e se reunido com Flávio no comitê de campanha, no Lago Sul.

O peso de Tarcísio se mede nas urnas. No arquivo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerado em 05/10 às 12h51, Flávio teve em São Paulo 12.922.023 votos (51,93%) e Lula (PT), 9.505.413 (38,20%). São 3.416.610 votos de vantagem no maior colégio eleitoral do país, mais do que a diferença nacional entre os dois, de 2.224.965 votos.

No Podemos, a presidente nacional é a deputada federal Renata Abreu. O partido também ficou neutro no primeiro turno. Até a noite de terça, o Podemos não tinha anunciado decisão.

A rodada de terça faz parte de uma ofensiva maior. O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL), procura os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do Republicanos. A CNN informou que a campanha quer concluir as tratativas até quinta-feira (08/10). "Sabemos que não há nada ganho ainda", disse Marinho à emissora.

Outros apoios já chegaram. Romeu Zema (Novo) declarou voto em Flávio na segunda-feira (05/10), e Flávio disse que recebe a bancada do Novo na quarta-feira (07/10). O ex-presidente Michel Temer (MDB) também anunciou apoio na segunda, e Ronaldo Caiado (PSD) marcou para esta terça, em Goiânia, o anúncio do seu.

O que falta: a decisão formal do Republicanos e do Podemos, que depende das bancadas. O segundo turno é em 25/10, e a propaganda no rádio e na TV começa em 09/10. No segundo turno, a lei divide o tempo de propaganda igualmente entre os dois candidatos, então novas adesões não aumentam o tempo de TV de Flávio.

Por que importa

A diferença entre Flávio e Lula no primeiro turno foi de 2.224.965 votos, menos de dois pontos percentuais, margem pequena para os dois lados. Partidos com prefeitos, deputados e máquina nos estados não transferem voto automaticamente, mas ajudam a levar o candidato aonde ele não chegou, e é por isso que o Centrão neutro virou o alvo da semana.

O outro lado

Até a noite de 06/10, o Republicanos e o Podemos não divulgaram decisão oficial sobre o segundo turno. A campanha de Lula não comentou publicamente as reuniões de Flávio com os dois partidos.

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