Eleição 2026 · Goiânia

Caiado, que jurou não desistir por Flávio, recebe o senador em Goiânia para apoiá-lo

Quinto colocado na corrida presidencial, com 2.605.148 votos, o ex-governador de Goiás marcou para a tarde desta terça-feira (06/10) o anúncio do apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. O partido dele, o PSD, ficou neutro.

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Ronaldo Caiado (PSD) teve 2.605.148 votos (2,18%) no primeiro turno, mais do que a diferença de 2.224.965 votos entre Flávio e Lula, pelo arquivo oficial do TSE.
  • O anúncio do apoio a Flávio Bolsonaro foi marcado para 06/10, às 14h30, em Goiânia, com o governador Daniel Vilela (MDB).
  • Em 04/10, o PSD declarou neutralidade no segundo turno e liberou diretórios e filiados para apoiar quem quiserem.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) marcou para a tarde desta terça-feira (06/10), às 14h30, em Goiânia, o anúncio formal do seu apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra Lula (PT). Flávio viajou à capital goiana para receber o apoio pessoalmente, e os três (Caiado, Flávio e o governador Daniel Vilela, do MDB) programaram entrevista coletiva depois do ato.

O acerto começou com um telefonema. Na manhã de segunda-feira (05/10), Flávio ligou para Caiado pedindo apoio, e Caiado prometeu anunciá-lo na terça, segundo o Metrópoles. Ao Poder360, Caiado confirmou o pronunciamento. Quem tornou a decisão pública primeiro foi Vilela, em entrevista à CNN Brasil na segunda: "Faremos amanhã aqui um evento, já confirmada a presença de Flávio Bolsonaro, lógico que é um evento liderado pelo ex-governador Ronaldo Caiado".

Por que o apoio de Caiado é disputado: no arquivo oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), gerado em 05/10 às 12h51 com 100% das seções, Caiado terminou em quinto lugar, com 2.605.148 votos (2,18% dos válidos). A diferença entre Flávio (56.104.503 votos) e Lula (53.879.538) foi de 2.224.965 votos. Voto, porém, não se transfere automaticamente: cada eleitor de Caiado decide sozinho em quem votar em 25/10.

Em Goiás, estado que Caiado governou de 2019 até deixar o cargo para disputar a Presidência, ele foi o terceiro mais votado, com 472.041 votos (12,33%). Flávio venceu no estado com 2.051.888 votos (53,60%), e Lula teve 1.188.880 (31,06%), segundo o TSE.

O gesto contrasta com o tom de Caiado antes do primeiro turno. Em 03/10, pressionado a abrir mão da candidatura em favor de Flávio, ele disse ao Poder360: "Jamais. A palavra renúncia, a palavra capitular, a palavra desistir, elas não existem". Ele levou a candidatura até o fim e, com o resultado definido, passou a apoiar o senador.

Caiado vai apoiar Flávio sozinho, sem o partido. No domingo (04/10), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, anunciou que a legenda não apoiará nenhum dos dois candidatos: "Cada diretório estadual, parlamentar, liderança partidária, filiados e militantes terão a liberdade de definir o seu apoio na eleição presidencial", disse Kassab, segundo CNN e Metrópoles.

O ponto em comum mais citado entre os dois é a segurança pública, bandeira das gestões de Caiado em Goiás. Segundo o governo goiano, citado pelo Metrópoles, o roubo de veículos caiu 95% no estado desde 2018. A expectativa divulgada pela imprensa goiana é que Caiado entregue a Flávio um documento com propostas comuns aos dois planos de governo.

O apoio de Caiado se soma ao de outros derrotados e caciques que chegaram à campanha de Flávio desde segunda-feira (05/10): Romeu Zema (Novo), sexto colocado, e o ex-presidente Michel Temer (MDB). Augusto Cury e Renan Santos, terceiro e quarto colocados, disseram que não apoiarão nenhum dos dois.

O que ainda falta: o conteúdo do discurso de Caiado e os termos do apoio, inclusive se haverá participação dele num eventual governo. A campanha de Flávio quer fechar as novas alianças até quinta-feira (08/10), e a propaganda no rádio e na TV do segundo turno começa em 09/10.

Por que importa

Caiado somou 2,6 milhões de votos, mais do que a vantagem de Flávio sobre Lula no primeiro turno, e por isso o apoio dele virou disputa. O apoio não leva esses votos automaticamente, mas leva o palanque goiano e a bandeira da segurança pública, tema em que o eleitor de Caiado confia nele.

O outro lado

A campanha de Lula não comentou publicamente o apoio de Caiado até a noite de 06/10. O PSD, partido de Caiado, manteve a neutralidade declarada em 04/10 e não apoiará oficialmente nenhum dos candidatos.

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