Eleição 2026 · Segundo turno

Temer, que indicou Moraes ao STF, declara voto em Flávio: "reconexão é Flávio"

O ex-presidente do MDB publicou uma "Declaração à Nação" em vídeo e, depois, disse que o PT o chama de golpista há dez anos. O partido dele ainda não escolheu lado no segundo turno.

Briefing do Rumo nº 3 · Terça-feira, 6 de outubro de 2026

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado (CC BY-SA 4.0)

Em resumo

  • Michel Temer (MDB) anunciou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) em vídeo de 59 segundos publicado no Instagram às 17h42 de 05/10.
  • Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula (TSE, 99,99% das seções, leitura de 05/10, 01h20).
  • O segundo turno entre os dois é em 25/10; o MDB ficou neutro no primeiro turno e não havia anunciado posição para o segundo até 06/10.

O ex-presidente Michel Temer (MDB) declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25/10, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio veio num vídeo de 59 segundos publicado no Instagram às 17h42 de segunda (05/10), segundo o Poder360, com o título "Declaração à Nação".

No vídeo, Temer leu o resultado do primeiro turno como pedido de troca: "As urnas falaram. O povo brasileiro, autoridade única da democracia, deixou claro que deseja mudança. Quer atenção e respeito. Quem entendeu isso foi reeleito. Com os demais, deu-se a renovação".

E fechou com a frase que virou o resumo do apoio: "A sociedade não quer fórmulas repetidas e discursos grosseiros. Quer novas ideias, novas atitudes, novos projetos e um caminho diferente. Quer, portanto, reconexão. E reconexão é Flávio" (falas registradas por Poder360, Metrópoles e Gazeta do Povo em 05/10).

Questionado depois sobre a decisão, Temer explicou o voto pelo lado pessoal, com uma pergunta: "Na sua concepção, se você fosse presidente chamado de golpista pelo outro lado e permanentemente o PT inteiro te chamando de golpista, qual seria sua posição?" (Poder360 e Gazeta do Povo, 05/10).

Para quem não acompanha: Temer era vice de Dilma Rousseff (PT) e assumiu a Presidência em 2016, depois do impeachment dela. Desde então, o PT chama o processo de golpe e Temer de golpista. Foi ele, como presidente, quem indicou Alexandre de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) em 2017.

O título escolhido não é novo na trajetória dele. Em setembro de 2021, depois dos atos de 7 de Setembro, Temer ajudou o então presidente Jair Bolsonaro a redigir uma carta também chamada "Declaração à Nação", na qual Bolsonaro recuou dos ataques ao STF.

O apoio é de Temer, não do partido. O MDB não lançou candidato à Presidência, ficou neutro no primeiro turno e liberou os diretórios estaduais para fazer alianças locais, segundo o Metrópoles. Até a terça (06/10), o partido não havia anunciado posição oficial para o segundo turno, segundo a Gazeta do Povo.

Os números explicam a disputa por apoios. Pela totalização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das seções apuradas, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16% (leitura das 01h20 de 05/10). Em votos, o Poder360 registra 56.104.503 para Flávio e 53.879.538 para Lula, uma diferença de 2.224.965.

Temer não é o único. Na mesma segunda (05/10), Romeu Zema (Novo), sexto colocado, também declarou voto em Flávio, e o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) anuncia apoio formal nesta terça (06/10) em Goiânia. Nos dois casos, quem vota é o eleitor: apoio de político não transfere voto automaticamente.

O que falta: a posição oficial do MDB para o segundo turno; se Temer vai aparecer na campanha de Flávio, que volta ao rádio e à TV em 09/10; e uma resposta pública de Lula ou do PT ao anúncio.

Por que importa

Temer é um ex-presidente do maior partido de centro do país, e o MDB ainda não escolheu lado; o gesto dele pressiona a legenda num momento em que os dois candidatos disputam o eleitor do centro. A justificativa do "golpista" mostra que a ferida do impeachment de 2016 continua pesando na eleição de 2026.

O outro lado

Até a leitura desta matéria, em 06/10, não foi localizada resposta pública de Lula, do PT ou da campanha petista ao apoio de Temer. O MDB, partido de Temer, também não se manifestou oficialmente sobre o segundo turno.

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